Já vem sendo hábito, o encontro. E ainda bem! É um bom sinal. Sinal de vida e de celebração. Celebrar a vida que já vai longa… 98 anos. A avó Adelina fez 98 anos no passado dia 8 de março, dia da Mulher. Apesar de ser a favor da igualdade, mas contra a existência do Dia da Mulher que, por si só, já torna a intenção desigual, nada melhor que comemorar aquele dia homenageando a grande mulher que é a minha avó. Sempre a conheci lutadora e trabalhadora. Ao seu jeito, criou doze filhos. Bem ou mal deu-lhes educação e a formação possíveis, num tempo em que os mais velhos, ainda crianças, tinham que educar os mais novos e estes, mais tarde, estariam a fazer o papel dos primeiros. Nem todos tem a seu lado. Uns mais perto, outros mais longe, ainda outros que nem estão perto nem estão longe mas vivem consigo no coração. Vida por vezes sofrida, conseguindo, sabe-se lá como, construir esta família numerosa que tem perfeita noção de onde veio, quais são as suas raízes e que deve muito aos que são responsáveis pela sua existência. A avó Adelina é uma dessas responsáveis e encontros como o deste dia fazem todo o sentido. Vieram alguns filhos, alguns filhos dos filhos e, ainda, os filhos dos filhos dos filhos, numa matriosca de gerações que vai precisando, cada vez mais, de mais peças. E ela, a avó, está bem no centro de tudo, no começo de tudo, alicerçando tudo e todos. Recordámos episódios de infância, quando éramos, apenas, filhos dos filhos. E pareceu-nos estar a falar de ontem, de quando esperávamos ansiosos pelo dia de ir à avó da aldeia, como lhe chamamos, de estar jogar às escondidas com todos os primos, na casa do tio Tóno que esteve anos por acabar, das idas ao tanque buscar e beber água fresca, de apanhar amoras em sítios perigosos, de nos escondermos no campo de milho, dos almoços intermináveis e onde quem ganhava era quem falava num tom mais elevado… provavelmente os filhos dos filhos dos filhos nunca saberão de que falamos e nunca terão convívios familiares tão numerosos. Mas, provavelmente, saberão que existiu uma pessoa que muito contribuiu para que a palavra família fizesse sentido. E nós, felizmente, fazemos parte dela!