Já há muito ansiávamos por esta viagem, mas os preços dos voos, e tudo o resto que viria por acréscimo, rapidamente nos faziam desistir da ideia. Com bastante antecedência, começámos por verificar voos e hotéis para esta altura e conseguimos disponibilidade a preços aceitáveis. E assim foi, a Madeira fantasiou-se a rigor para nos receber neste Carnaval. Do calor do Funchal à neve no Pico do Arieiro, da costa e do planalto às íngremes montanhas, esta é a ilha dos contrastes e até dizem que é onde todos os continentes se encontram. Será verdade? Descobre, como nós descobrimos, o que Portugal também tem para nos dar!

Um pouco de História
Percebendo o valor da Madeira, o Infante D.Henrique, o Navegador, enviou João Gonçalves Zarco para as ilhas, que atracou em Porto Santo em 1419. Voltou em 1420 para reclamar a Madeira para Portugal, iniciando a sua colonização em 1425, juntamente com Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo. Seguiram-se anos de prosperidade ligados aos mercados como o do vinho e do açúcar, mas também de lutas pela conquista das ilhas. Escapando aos efeitos das duas Grandes Guerras, a Madeira foi considerada a região mais pobre da Europa aquando da Revolução dos Cravos. Em 1976, é formada a Região Autónoma da Madeira, dependendo, no entanto, do Governo Central no que respeita a impostos, política externa e defesa.

Primeiras dicas
– Reservar voo e hotel com a maior antecedência possível. Há voos low cost a partir do Porto e de Lisboa, com a EasyJet.
– Reservar carro, de preferência nos sites próprios das operadoras como Hertz, Sixt, Avis, Goldcar, entre outras. Verificar se o contrato tem limite diário de quilómetros, o que é de evitar; escolher um carro que não seja para grandes velocidades, mas que dê resposta à inclinação acentuada característica do relevo da ilha, a potência na subida e os bons travões para a descida.
– A ilha não é muito grande e consegue visitar-se em, pelo menos, três dias completos, como foi o nosso caso. Dividimos os dias de visita em três regiões: Centro da Madeira, Madeira Ocidental e Madeira Oriental.

Centro da Madeira
Chegámos cedo, dando para aproveitar logo a manhã para conhecer o centro do Funchal. A capital da Madeira recebeu o nome de Funchal devido aos funchos selvagens encontrados em abundância pelos primeiros colonos. Neste anfiteatro natural que é a cidade do Funchal, começámos por reparar nos pavimentos das ruas em blocos de basalto cinzento e calcário bege, colocados de forma a criar padrões geométricos ou motivos florais. Passámos na Praça do Município (onde se encontra a Câmara Municipal) e na Sé do Funchal, com um exterior muito simples, mas um interior rico em pormenores e trabalhados de beleza extrema. A Sé marca um dos centros sociais da cidade.

Percorrendo mais uns metros, guiados por turistas que enchem as ruas e os passeios, demos de cara com o Mercado dos Lavradores, outro importante centro social da ilha onde os aromas e as cores são reis. Frutas, flores, ervas aromáticas, legumes, peixe, produtos para todos os gostos, onde quem vende se veste a rigor com as roupas tradicionais.

Já na avenida junto ao mar, conhecemos a Marina e o Porto, assim como a estátua de Cristiano Ronaldo junto ao Hotel/Museu com o seu nome.

No final do percurso, junto ao Museu de Eletricidade, arriscámos uma subida de teleférico ao Monte, freguesia pertencente aos subúrbios do Funchal, com inúmeros jardins, com água de nascentes naturais, e onde se encontra a Igreja da Nossa Senhora do Monte, que alberga o túmulo do Imperador Carlos I da Áustria, exilado na ilha em novembro de 1921. Na descida, apanhámos boleia nos famosos Carros de Cesto, guiados por dois homens, os carreiros, trajados a rigor, durante os 2 quilómetros que separam o Monte do Livramento. Estes carros foram inventados em 1850 para responder à necessidade de um meio de transporte mais rápido para ajudar a fazer a ligação com a baía do Funchal. Foi uma experiência única neste que foi considerado o meio de transporte mais cool do mundo.

Chegados, de novo, ao centro da cidade, partimos em direção a Câmara de Lobos. Este nome refere-se aos lobos-marinhos que se estendiam na praia. Câmara de Lobos é uma vila piscatória cuja principal espécie pescada é o Peixe Espada Preto, um dos ex-líbris da gastronomia madeirense. Esta pitoresca vila foi procurada por muitos pintores para ser pintada. A arte acaba por estar presente nas próprias ruas.

Depois de um almoço para não esquecer, seguimos viagem para visitar aquele que foi considerado o quinto penhasco mais incrível do mundo, o Cabo Girão, com 580 metros de altura. No topo, a partir de um skywalk podemos desfrutar das vistas e ver uma fajã, uma plataforma de rocha criada quando parte da face do penhasco caiu ao mar há milhares de anos. Hoje em dia, os agricultores cultivam os belos socalcos.

Já quase a acabar a jornada, decidimos ir ver o pôr do sol à Ponta do Sol, passando ainda pela Ribeira Brava, uma das mais antigas cidades da ilha. Por este dia, já valeu a pena!