Confesso que o Carnaval, enquanto festa da folia e das máscaras, não me diz rigorosamente nada. Penso que ganhei resistência enquanto criança e a culpa, cá para mim que ninguém me ouve, foi toda dos meus pais. Não que os martirize com isso, mas acho que foram mesmo eles. No infantário que frequentei, tal como hoje em dia, havia um dia reservado às máscaras, às serpentinas e aos confetes. O fotógrafo também não podia faltar para captar as poses num cenário recreado e o corso de personagens que, na altura, nada tinham que ver com as de hoje. Cowboys, palhaços, Poirot’s, enfermeiras, sevilhanas, Zorros, padeiros, cozinheiros, são exemplos do que se via. Num ano que já nao me recordo bem, alguém se lembrou de que eu iria de, imagine-se, Pantera Cor de Rosa! Que tal? Giro, não é?! Metido num fato, apenas com abertura para a cara, com uma cauda comprida na parte traseira e de que cor?… Rosa! Giro, não é? Giro foi passar o dia cheio de vergonha, a fugir dos meus colegas que queriam puxar-me a generosa cauda. Puxa este, puxa aquele, encosto-me a uma parede para que não mais me aborreçam, mas de nada serviu. Foi assim o dia todo e, a partir daí, o Carnaval para mim acabou. Ainda me vesti mais tarde algumas vezes, mas sempre de “cauda atrás” com as indumentárias escolhidas. Este é o quarto Carnaval do João e, até agora, tem convivido bem com a época festiva, vestindo-se sempre a rigor. Para já, gosta da ideia e até resiste no final do dia em retirar a fatiota. Enquanto ele gostar, ótimo, para ele! Para mim, o Carnaval é outro. A folia está no passeio e no descanso que já tarda e no desligar um pouco da rotina que insiste em levar-nos para longe de nós. Com ou sem máscara, com ou sem folia, vale a pena fugir da rotina, agarrar na família e ir… para outros carnavais!