Não posso dizer que tenha gostado de todas as fases da minha infância, mas recordo de uma forma muito positiva os anos em que frequentei o infantário. Fui feliz ali, não fosse a minha casa desde os três meses, todos os dias, desde perto das 8:30 até quase fechar porta, por ter que esperar pela minha mãe que saía tarde do trabalho. Ali aprendi a brincar, a gerir as emoções, criei os primeiros laços, desenvolvi os afetos, comecei a minha história… numa altura em que a presença e o envolvimento dos pais nas atividades da escola das crianças nem sequer se falava. Hoje, e já no papel de pai, é bem diferente! Até trabalhos de casa nos são marcados. Numa das últimas reuniões com a educadora do João, os pais foram convidados a participar no projeto da turma que envolve Reis, Rainhas, Príncipes e Princesas, vestidos, cavalos, espadas, carruagens e tudo o que faz parte do nosso imaginário encantado. Cada pai teve que se comprometer em dinamizar a construção de adereços sobre o tema que, mais tarde, serviriam para todas as atividades do projeto, no dia a dia do Colégio. Depois de analisar o quadro de possibilidades, arrisquei na construção de um castelo na própria sala deles. Juntaram-se a mim mais dois pais. Parti para esta aventura com expectativa, mas nunca pensando no que iria dar. Aguardámos uns dias pelas indicações da educadora, até que chegou o momento de reunir e fazer o projeto, ver os materiais possíveis para a construção e as ferramentas que seriam necessárias. Da ideia inicial de ser em cartão, passámos para a madeira, fez-se o projeto e combinou-se o dia de ir às compras e pôr mãos à obra. E assim foi! Depois de um dia de trabalho, lá fui às compras com os outros construtores de castelos. Compras feitas, rumámos ao Colégio para descarregar a mercadoria na sala e começar a trabalhar. Cada um com a sua mala de ferramentas, uma mais apetrechada do que a outra, desde a aparafusadora elétrica até ao tico tico, com o qual estabeleci logo empatia. Marca aqui, corta dali, abre janela de um lado, outra do outro, uma porta ao centro, mais uma ideia surgia, mais um corte que levava outro tempo. Contas feitas, cerca de cinco horas de entrega para, no dia seguinte, levar as crianças ao rubro na ansiedade crescente em que se encontravam para ver tamanha obra. A pintura foi feita uma semana mais tarde, com ajuda dos pequenos e aproveitando um furo do nosso horário laboral para podermos ali estar, e foi bom! Vê-los no contexto escolar, no seu dia-a-dia com os seus colegas de turma, a aprender a brincar, a gerir as emoções, a criar os primeiros laços, a desenvolver os afetos, a começar a sua história… história que já inclui um castelo!