Partiu, há sete anos! Deixou saudades, o Padrinho! O meu padrinho adotivo, mas mais padrinho que os próprios padrinhos que, por viverem do outro lado do Atlântico, não tiveram a oportunidade de exercer a função para a qual foram incumbidos mesmo antes de partirem. O verdadeiro afilhado do Padrinho é a minha irmã e eu, por hábito de a ouvir chamar assim, acabei por tratá-lo, carinhosamente, da mesma forma. Não era o tio Zé, era o Padrinho! Uma figura, aquela. Solteiro, sempre viveu com a minha avó. Mais tarde, sob os cuidados dos meus pais, dos meus e da minha irmã. Ao Padrinho ajudei muito mas acima de tudo devo-lhe ainda mais. Devo-lhe um pedido de desculpas por muitas vezes o ter aborrecido com as minhas manias das arrumações, por não gostar que fumasse quando ali estava junto dele,  por se abeirar de mim sempre que lhe preparava o almoço ou o jantar, salivando de entusiasmo por mais um petisco e por insistir em manter o rádio “nas alturas” ao ouvir um relato que não podia faltar, de preferência de um jogo do Futebol Clube do Porto, ou de um “Jogo da Mala” que nunca o contemplava ou até de um “Bola Branca, terceira edição”. Falar do Padrinho é falar de prazeres da vida, da sua! Viveu-a, desfrutando  ao máximo de três grandes prazeres: futebol, gastronomia e viagens. Vibrou com as conquistas do seu FCP, ficou azul com as derrotas, comeu, comeu com muito prazer! Passou por todos os continentes, visitou n países, fez um sem número de excursões. Acompanhei-o em algumas. Batizou-me nas viagens de avião numa ida a Lisboa para ver o Jardim Zoológico, levou-me ao Brasil para eu conhecer os padrinhos, os verdadeiros, depois à Dineyland Paris, mais tarde à Turquia, depois de uma passagem de ano pela Ilha da Madeira. Apresentou-me ao mundo para que eu soubesse que, afinal, vivemos numa aldeia e estamos mais perto de tudo e de todos mais do que pensamos. Deixou-me o bichinho das viagens, sem dúvida. Se há dinheiro bem investido é nisso, nas viagens. Qualquer viagem traz-nos algo de novo e essa vivência  ninguém mais nos tira! A sua viagem por cá, apesar de já ter terminado, trouxe-nos muitas vivências que agora recordamos com saudade. Recordar o padrinho é celebrar o prazer com  que viveu a sua vida! Nesta data em que o recordo, sinto-me grato por tudo o que me proporcionou e com vontade de viver intensamente esta viagem inesquecível que é a vida. Obrigado, Padrinho!