Confesso que estava curioso e acabei por criar expectativas nos alunos que participaram na visita de estudo que realizámos esta semana. O destino estava bem perto, a Sinagoga Kadoorie Mekor Haim. Considerada a maior da Península Ibérica, este monumento representa a mais viva afirmação da fé judaica no Porto. Trata-se do edifício-sede da Comunidade Israelita do Porto, uma comunidade composta por judeus de inúmeras nacionalidades desde a sua fundação, em 1923, até aos nossos dias. A sinagoga foi construída com os donativos de judeus de todo o mundo e inaugurada em 1938. O nome hebraico “Mekor Haim” significa “Fonte de Vida”, ao passo que “Kadoorie” representa uma homenagem a Laura Kadoorie, descendente de judeus portugueses, familiares de judeus naturais de Hong Kong que doaram a quantia de dinheiro necessária para finalizar as obras do edifício.

Depois de alguma espera, enquanto outra escola acabava a sua visita, lá fomos convidados a entrar. A sensação foi estranha, mas dada a simpatia com que fomos acolhidos, rapidamente nos apercebemos que quem está ali é para o bem, recebe bem e fica feliz por dar a conhecer a história da sua religião e as suas ideias, descontruindo outras, muitas vezes criadas por nós. Os alunos rapazes e os professores homens foram convidados a colocar na cabeça uma cobertura, o Kipa, um dos muitos símbolos judaicos que nos foi dado a conhecer. Quem o usa coloca todo o seu ser debaixo da proteção de Deus, numa atitute de completa humildade. Os alunos correram para a caixa para os colocar e eu segui-lhes o exemplo. Depois de sentados conhecemos uma pouco da história deste povo e desta religião.

O judaísmo é a religião do povo judeu e a mais antiga tradição religiosa monoteísta, desterminando que um filho de uma mãe judia também será judeu. Um judeu pertence ao “povo escolhido por Deus” e descendente direto dos primeiros judeus: Abraão, Isaac e Jacó. Os ensinamentos desta religião estão vertidos na Torá, a Bíblia Hebraica, correspondendo ao Velho Testamento da Bíblia Cristã. A tradição e filosofias judaicas são transmitidas por meio do Talmude, livro que reúne as leis judaicas na forma de histórias e comentários. A forma como é lida a Torá e a maneira como são interpretadas as leis judaicas fazem com que, dentro do judaísmo, encontremos diferentes linhas de tradição religiosa. No judaísmo, Deus é único e não possui imagem ou corpo, é a autoridade máxima do Universo e a única entidade a ser louvada. Todas as ações que um indivíduo toma são notadas por Deus e, tendo em conta a sua natureza, podem fazer com que o indivíduo seja punido ou recompensado.

Depois desta primeira abordagem histórica foi-nos pedido para observar um dos maiores símbolos de reconhecimento do povo judaico em todo o mundo, a Estrela de Davi. Uma estrela com seis pontas, formada por dois triângulos sobrepostos. Este símbolo está também presente na bandeira de Israel. Historicamente, este símbolo está ligado ao escudo usado pelos soldados do rei Davi para atrair  proteção divina. Já no século XX, em plena Segunda Guerra Mundial, de forma a distinguir os judeus nos campos de concentração, era utilizada uma faixa nos braços dos prisioneiros judeus.

De seguida, foi pedido a um aluno que fosse ler um pouco da Torá, embora sem perceber o que lia, depois de colocar um manto branco com riscas azuis chamado Talit. Revestido de um forte simbolismo, este manto pretende o isolamento necessário de quem está a orar e impedindo que a pessoa que o usa se distraia.

Outro importante símbolo judaico é a Menorá, um candelabro de sete pontas que simboliza a luz irradiada pela Torá.

À entrada da sinagoga, assim como em qualquer casa de judeus, está também presente um outro símbolo judaico, o Mezuzah, um talismã que representa a proteção e a fé dos devotos judeus. Quando entram nesses espaços, os judeus tocam nesse objeto dentro do qual existe um pregaminho com um texto sagrado.

Estávamos absorvidos por tanta informação, tantas curiosidades interessantes e que gostámos de aprender. Depois de algumas perguntas colocadas pelos alunos, ainda houve tempo para uma visita ao outros pisos da sinagoga, um com uma sala  mais pequena também para oração e outro, no primeiro piso, onde as mulheres e crianças se sentam aquando das cerimónias que ali se realizam. No final, fomos presenteados com um saco de gomas confecionadas de acordo com as regras alimentares que esta religião impõe. Sem dúvida, uma visita recomendada para todos, judeus e não judeus!