Se a minha mãe fosse um doce diria que seria uma queijada. À partida parece um doce de ovos ao qual se junta queijo, no entanto a receita está bem longe disso. Falo da minha mãe pois só ela as sabe fazer como ninguém, seguindo a receita original, e confecionando a massa areada e o recheio na dose certa. É de comer e chorar por mais.  Quem prova não esquece e, sempre que se fala em Natal ou em Páscoa, é vê-los salivar e ouvi-los suspirar: “Ai as queijadinhas da tua mãe!…”. Geralmente, na altura destas festas, fazem-se fornadas delas lá na casa dos meus pais e aproveita-se para “distribuir pelas aldeias” sasseando a saudade deste doce feito com amor, o ingrediente que explica o comer e o augar por mais! Mas as “queijadinhas da sogra”, rebatizadas aqui em casa, têm uma história que vai muito além de um doce que é feito esporadicamente para matar saudades daquele sabor e daquela textura característicos. Estes doces começaram por ser confecionados com o objetivo de serem vendidos em alguns espaços comerciais, como cafés, ou em pequenas empresas com cafetaria. Teria eu cerca de quatro anos quando os meus pais decidiram apostar num negócio familiar, de fabrico próprio e caseiro, sendo a nossa cozinha lá de casa o local da confeção. A ideia passou pelo fabrico das ditas queijadas durante as tardes, para se fazer a distribuição na manhã do dia seguinte. As minhas primeiras memórias apontam para essa altura em que duas tias mais chegadas davam o apoio necessário para assegurar o fabrico. Eram tardes a fio sempre a trabalhar a massa e o recheio em doses industriais. O forno não parava e, no final do dia, os tabuleiros ficavam cheios para, na manhã seguinte, fazerem as delícias de muitos. Não sei precisar quanto tempo durou este negócio mas penso que perdemos uma grande oportunidade… a partir daí, a minha mãe foi aperfeiçoando a técnica, foi fazendo de vez em quando uma ou outra fornada para matarmos as saudades e nunca falou da receita a ninguém nem os segredos da sua confeção. Agora, a nora insistiu tanto que lá conseguiu! Experimentou mas… ainda não é a mesma coisa! É uma receita cá de casa mas que ainda está em aperfeiçoamento. No entanto, as imagens deixam adivinhar que vamos no bom caminho e, quem sabe, poderemos ter negócio?!