Já está! Foi vê-lo voar, aquele que para mim é o período escolar mais difícil de ultrapassar. Terminou ontem e ainda bem! Cerca de catorze semanas cheias de tudo, sem quase nenhum tempo para respirar. Dia após dia, a mesma rotina mas em crescendo de emoções. Sou de chegar cedo, muito cedo, à escola. Gosto daquela meia hora que antecede a primeira aula. Aí, organizo o meu dia, verifico o email e respondo àqueles que, naquele momento, não exigem muita ginástica e contenção nas palavras. Depois de começar a primeira aula esqueço o tempo. Dois intervalos a correr, para o café que não pode faltar e para comer alguma coisa. Quando dou por mim, o dia está a acabar e, por vezes, a escola e os alunos não querem que ele acabe, exigindo a presença, o acompanhamento e a dedicação permanentes. São vários os dias que entro antes das oito e saio depois das seis. Muitas horas, eu sei, mas são as que a profissão nos exige, muitas vezes fazendo-nos perder horas com a família ou, simplesmente, a oportunidade de não fazer nada. Depois, já em casa, novamente a correria de uma família com crianças pequenas e que, depois de adormecerem, nos fazem perguntar quanto tempo útil de convívio, lazer e brincadeira passámos com eles desde que chegámos a casa até irem para a cama. A resposta adiámo-la, embora pensemos nela, esperando viver tudo o que não vivemos nesses dias no fim de semana seguinte. O pior é que esse também não dá para tudo! A toda esta sucessão de dias preenchidos vamos juntar atividades com os alunos, reuniões com pais e professores e testes para fazer e corrigir. Esta última semana foi especialmente preenchida. Dei e corrigi os testes a todas as turmas, lancei notas e informações de cada uma delas, tivemos o jantar de Natal com os alunos e a ida ao cinema no último dia. Tudo se condensou apenas nestes cinco dias. E eu, desejando que tudo acabasse bem e feliz, estou feliz por ter sobrevivido! É isso, sobreviver é a palavra mas a outra, a felicidade, também tenho que a utilizar. Quando se misturam podem dar os seus frutos. Eu, acredito que tenho colhido alguns deles! Sim, acredito que sim. Só assim faz sentido este turbilhão de dias e emoções. Mas agora é preciso parar, refletir e descansar. Aproveitar todos os segundos com os nossos, os cá de casa, aqueles que, por muito ausentes e aterefados que andemos, estão cá, à nossa espera!