O Bom Jesus do Monte, estância barroca e ex-libris da cidade de Braga, foi ponto de paragem num dos últimos passeios em família. A ideia foi aproveitar a existência de um elevador-funicular para ir contemplar a vista lá de cima. Manhã solarenga de domingo, temperatura fria e muita vontade do passeio. É que isto de andar no laréu sabe bem e tem que se aproveitar mesmo. Caso contrário, andamos no rodopio da vida para quê?! Carro estacionado e fomos logo para a entrada do elevador. Um grupo dos turistas asiáticos aguardava viagem. Por momentos parecia que nem estavamos no nosso país. Era ouvi-los falar, a sorrir, nós a sorrir também mas pensando, ao mesmo tempo, que nem sabíamos porque o estávamos a fazer, mas convinha parecer simpáticos e agradáveis. Fotos daqui, fotos dali e lá chegou a hora de entrarmos na cabina. Os comentários (chineses, no verdadeiro sentido da palavra) dos turistas continuavam, o ar ternurento de todos a olhar para o João denunciava que provavelmente estavam a achar-lhe graça. Risos deste, risos daquele, até fotos com o pequenote queriam tirar! A buzina soou… Hora da partida, felizmente! É que até rebuçados o João já tinha na boca… e como dizer às criaturas, de forma a elas perceberem, que se calhar seria melhor não dar aquele açúcar à criança… Partimos. A subida, muito íngreme, é realizada ao mesmo tempo que outra cabina faz o percurso descendente, paralelamente ao escadório ziguezagueado também ali disponível para quem nele quiser suar. Sendo o primeiro funicular a ser construído na Península Ibérica, é um dos mais antigos do mundo, ainda em funcionamento, que utiliza o sistema de contrapeso de água. 






A sua construção, datada dos finais do século XIX, deveu-se à necessidade de substituir os veículos sobre carris puxados por cavalos, que tinham que ser reforçados nos dias de maior afluência ao Santuário para o transporte dos visitantes. Foi graças ao empresário e empreendedor bracarense Manuel Joaquim Gomes que o projeto ganhou forma, sendo inaugurado a 25 de março de 1882 e considerado ícone da engenharia portuguesa do século.


Chegados ao cimo foi contemplar a vista sobre a cidade, visitar o Santuário, deixarmo-nos apanhar pelo sol que nos quis aquecer, reviver o passado ao vislumbrar a máquina de fole de um fotógrafo “à la minuta”. 






Depois, foi a descida a pé. “Ajudados por todos os santos”, e entre paragens e fotografias, foi uma espécie de peregrinação, ao mesmo tempo que inúmeros caminhantes passavam por nós em passo acelerado, fazendo a sua caminhada saudável matinal. Saudável foi também o nosso passeio! Um encontro a três, um encontro connosco enquanto família na busca da união e da partilha!