Estamos a viver os primeiros dias do horário de inverno. A habituarmo-nos aos dias mais pequenos, em que já saímos do trabalho de noite. Entramos numa espécie de depressão anual, ansiosos que passe a correr e o final de março chegue depressa para vermos novamente a luz do dia, durante mais horas! Fui à procura das razões para tal prática que não é de aceitar com facilidade pois parece que nada vem acrescentar à vida das pessoas, antes pelo contrário, tira-nos a luz, logo a liberdade que o estar na rua até mais tarde nos traz de bom!


A ideia surgiu em 1784, através de Benjamin Franklin, e foi batizada de Daylight Saving Time. O objetivo na altura era o da poupança no consumo de velas. Apenas em 1916 foi levada mais a sério com a ajuda dos estudos do britânico William Willett, de 1907. No entanto, dada a sua morte, já não conseguiu ver concretizadas as suas teorias com a implementação do Summer Time Act (atual horário de verão) em 1916, pela Alemanha seguida da Grã-Bretanha. Em plena primeira Grande Guerra, a intenção passou pela poupança do consumo de carvão e aumentar os recursos. Com o fim da guerra, deixou cair-se a ideia do dito horário. Este voltou a ser retomado aquando da segunda Guerra Mundial, sendo adotado por várias nações. Acabou por adaptar-se o horário consoante os confrontos bélicos em curso. Só depois da crise energética de 1973 é que o Daylight Saving Time foi uniformizado pelos Estados Unidos e vários países europeus. Em 1981, uma diretiva da União Europeia determinou que todos os estados-membros entrem na hora de verão no último domingo de março e na hora de inverno no último domingo de outubro, independentemente do fuso horário em que se encontrem. Podemos arranjar, com mais ou menos facilidade, vários prós e vários contras em adotar-se o Daylight Saving Time. No entanto, podemos dizer que nada é definitivo e, o que hoje é aceite como o mais razoável, amanhã poderá ser descabido. Não é uma questão linear. Por agora, o horário de inverno está para durar. Liguemos as luzes, acendamos as lareiras, liguemos os aquecedores, aqueçamos as noites que esperam pelo sol nascer. Esse sim, a luz dos nossos dias!