Foto: Agência Lusa

É impossível ficar indiferente às imagens e relatos que temos assistido nos últimos dias por causa dos incêndios e a todas as famílias que, neste momento, procuram o caminho que já não tem volta ou, pelo menos, já não será o mesmo. Tudo mudou! De um momento para o outro, tudo foi reduzido a pó e a cinza. As casas, os postos de trabalho, os campos, o gado, o sustento de centenas de famílias que agora têm que recomeçar do zero mas não sabem sequer onde o nada se encontra. Compreendemos o que será passar por tudo isto, mas só quem está naquela situação saberá a angústia e a ferida que arde na alma. Ficámos tristes por pensar que tudo poderia ser diferente, se não houvesse Homens que fazem mal ao seu semelhante, se se cumprissem as regras das florestas, se se apoiasse preventivamente, acautelando situações de calamidade como esta. Ficámos tristes por ver que, na arena política, o que vale é estar por cima, custe o que custar, e que os interesses e o poder são cada vez mais as causas maiores. Não quero defender ninguém de nenhum partido, mas custa-me acreditar que o responsável é este ou aquele governo, este ou aquele ex-governante. Claro que quem está em funções, quem dá a cara, é o primeiro a ser chamado às suas responsabilidades. O país ficou mais desconfiado de quem tem que ser o primeiro a defender, o Estado! Ficou ferido também, o país! Ficou ferido com António Costa! Ficou ferido com a Proteção Civil, essa entidade que ficámos a conhecer pior! Ficou ferido por perceber que afinal somos um país que podia tratar melhor os seus, estimar melhor as suas matas, os seus bombeiros, cumprir melhor com o que é realmente importante e fazer a diferença em situações de crise. Acredito que o tempo apagará o fogo desta ferida que continuará aberta. Revejo-me nos abraços do senhor Presidente. São abraços que eu queria dar. Abraços de afeto a quem o aconchego vale tudo. Neste dia de tantas manifestações, queria manifestar o meu afeto com aquelas pessoas que são desta família que é Portugal. E eu, sendo dessa família, também estou ferido!

Foto: Nuno André Ferreira