Estamos um pouco de ressaca dos últimos dias. A campanha eleitoral para as Autárquicas chegou, ontem, ao fim. Desde agosto que não se fala noutra coisa. São cartazes e mais cartazes que vão mudando nos outdoors em que posam os protagonistas, muitos deles (a maioria) desconhecidos até ao momento em que se apresentam como candidatos, e um ou outro com um slogan que nos faz pensar em tudo e em nada ao mesmo tempo. Nos últimos anos, as campanhas têm trazido muita roupa para lavar em praça pública. Todos os estilhaços dos telhados de vidro, que toda a gente tem, são usados e levados ao extremo no esgrimir de argumentos onde o que vale é o vale tudo! Até pormenores da vida privada são explorados até já não se considerar útil para a caça ao voto. Explorar, denegrir, diminuir e levar a pensar que o outro candidato não é exemplo para ninguém, tornou-se vulgar. Por outro lado, parece que os autarcas ainda em funções, e que pretendem ver renovado o seu mandato, só agora entraram em ação no seu município. Passeiam pelas ruas, mostram-se, cumprimentam qualquer pessoa, decidem fazer aquelas obras que desde a sua tomada de posse tinham como prioridade. Já não víamos tantas obras nas ruas há mais de dez anos. Tem que ser visível o que está a ser feito, bem feito, e que valerá a pena votar na continuidade e na estabilidade. Os adversários chamarão populismo ou compra de votos. As arruadas, embora fora de moda, fazem as delícias dos telejornais. Todos os candidatos, de todos os partidos, de todas as Câmaras têm os seus cinco minutos de fama, acompanhados, se for o caso, dos respetivos líderes do partido que representam. A concentração de pessoas em redor da ‘máquina’ da campanha, as bandeiras, o megafone e… até autocarros de caixa aberta onde alguém, que não conhecemos de lado nenhum, nos acena e sorri como já nos conhecesse e não nos visse há anos e fica delirante ao vislumbrar-nos. Afinal, é só mais um voto que quer! Eu sei que a campanha deve existir, que é preciso o contacto das pessoas para se darem a conhecer, que as obras são uma prioridade, que as televisões precisam de notícias, que as ruas são o meio para as arruadas e que toda a gente tem telhados de vidro. Percebo que estejamos cansados de algumas políticas e de alguns políticos e que estes estejam cada vez mais descredibilizados. Mas faço um esforço para não generalizar. Acredito e devemos acreditar que, no meio disto tudo, há pessoas que pensam em pessoas, nos seus problemas diários enquanto cidadãos das suas terras. E é isso mesmo que nos deve levar a votar amanhã, o amor à nossa terra e às suas gentes. Como diria o nosso Presidente, pelo “amor a Portugal”!