Nunca se tinha proporcionado conhecê-la, à festa, mas a broa de Avintes há muito fazia as delícias lá em casa dos meus pais. O céu encoberto e as nuvens desencorajavam a ida à praia. A propaganda aos carroceis incentivou-nos a rumar a Avintes, uma vila do concelho de Vila Nova de Gaia, conhecida também pela sua praia junto ao rio Douro, a praia do Areinho. A hora não era a de maior afluência. No recinto, todos se preparavam para mais uma noite de folia. Barraquinhas com as mais variadas iguarias, restaurantes improvisados e broa de Avintes, muita, sempre pronta para quem chega levar!

Avintes terá tido a sua grande oportunidade, no que à moagem de cereais diz respeito, no reinado de D.Dinis I, altura em que, com receio dos incêndios, proibiu a cozedura do pão de milho nas cidades. Aproveitando a farinha moída nos moinhos de água do rio Febros, afluente do rio Douro, iniciava-se assim a ascensão de uma atividade, a padaria, que teve o seu auge no século XIX. Em pleno período de invasões francesas, o reconhecimento de Avintes na produção da broa levou-a a ser poupada do saque geral. Ligada à venda deste pão surge a figura da Padeira de Avintes, tão célebre como a própria broa pela sua peculiaridade. Hoje em dia, com o avanço das técnicas industriais e tecnológicas, os moinhos caíram em desuso e a produção raramente é artesanal, embora Avintes tente manter a tradição.

Confecionada com farinha de trigo, de centeio, água, sal e malte (importante substância à base de cevada, é utilizado, por exemplo, na produção de cerveja, uísque, Ovomaltine e Maltesers), quem a faz diz que o ingrediente principal é o amor. Diz quem sabe! Mas não será assim em tudo? Não será o amor o segredo para tudo? Eu acho que sim!