Gostas de praia, daquela em que estás colado aos vizinhos que tudo ouvem mas fazem de conta que não, de ruas cheias de gente a caminhar no mesmo sentido como se de uma procissão se tratasse, caminhando sem destino porque toda a gente vai, do barulho dos bares e das esplanadas repletos e com fila de espera, de bons restaurantes em que só com sorte consegues que te atendam para reservar e que, se não consegues, ficas mais de uma hora em pé à espera que alguém se lembre que tu também queres comer? Pois bem, se gostas de tudo o que referi, então este post não é para ti! 

A nossa viagem de férias este ano foi tudo ao contrário daquilo que de pior o Algarve nos traz, a começar pela escolha do local, a Fuzeta! Muitos poderão nem saber onde fica, o que é compreensível visto não ser dos locais mais procurados, quer pelos próprios portugueses, quer por estrangeiros (se bem que os encontrámos a toda hora!). Fuzeta, ou Fuseta, deriva de Fozeta que teve origem no Ribeiro do Tronco que ali ia desaguar. Situa-se entre Olhão e Tavira.

É uma vila cuja atividade principal é a pesca e que, mais recentemente, tem sido uma atração turística cada vez maior. É banhada pela Ria Formosa, uma das duas únicas rias de Portugal (a outra, já te falei aqui, a Ria de Aveiro), sendo uma importante área de descanso de aves migratórias e onde habita uma série de espécies únicas e raras.

As ruas da vila são estreitas e labirínticas muito parecidas umas com as outras. As casas são, na sua grande maioria, caiadas de branco com pequenos apontamentos coloridos e as chaminés são trabalhadas e típicas da arquitetura local.

Ainda é possível encontrar algumas casas cubistas encimadas pelas açoteias (os terraços na cobertura). Muitas das casas necessitam de uma reabilitação urgente, no entanto, outros edifícios modernos têm vindo a ser construídos e são uma aposta ganha no que ao turismo diz respeito. Estivemos num condomínio mesmo em frente à Ria Formosa com uma vista de cortar a respiração e com o mar e a praia no horizonte. Simplesmente, lindo!

Relativamente à praia, existem duas opções: a praia da Ria Formosa, chamada a Praia dos Tesos, e a Praia da Ilha da Fuzeta, acessível apenas por barco, parte integrante da Ilha da Armona. Optámos sempre por ir de barco para a Praia da Ilha, um momento alto para o pequenote que adora qualquer meio de transporte. A empresa responsável pelo transporte é a Harmonia Fuseta Tours. Cobra 1,70€ pelo bilhete individual de ida e volta e a viagem, num dos sentidos, demora cerca de 15 minutos. Na época alta, existem três embarcações que asseguram o transporte e fazem sempre a travessia enquanto houver passageiros. Quase que nao há tempo de espera. O passeio é muito agradável. A praia é limpa, a água cristalina e o areal fino e extenso. Se percorrermos uns metros, afastando-nos da zona onde há mais gente, ficamos completamente isolados parecendo estarmos numa ilha deserta.

No alto da vila ergue-se a igreja de Nossa Senhora do Carmo, matriz da Fuzeta. Do seu adro vislumbram-se o casario, a Ria e o mar. A igreja foi reconstruída em 1835 e no seu interior constam algumas imagens do século XVIII. Conforme é possível ler-se numa placa de mármore na frontaria da igreja, o rei D. Carlos I terá visitado o espaço em 1908. Quem visita o interior da igreja apercebe-se que a decoração dos altares utiliza motivos ligados ao mar e à pesca, uma alusão à história da vila e das suas gentes.

Em direção à baixa, deparamo-nos com algumas praças, que se enchem de gente nas noites quentes, alguns estabelecimentos comerciais e até o Mercado Municipal onde se vende o melhor peixe fresco. A vila é também muito procurada por causa do Parque de Campismo aí instalado.

Esta viagem superou as nossas melhores expectativas. A calma, o silêncio, a fuga da confusão e do stresse, a paisagem e, como é óbvio, a comunhão em família, fizeram desta viagem uma experiência a repetir.

Não consigo expressar melhor por palavras o quão felizes ali fomos, mas espero que as fotos ajudem a transmitir isso mesmo! É que fui ali e, infelizmente, já voltei!