Nunca fui muito de doces, muito menos daqueles cheios de creme como é o caso da bola de Berlim (Berliner ou Berlinesa em português). No entanto, à medida que foram surgindo receitas adaptadas com recheios de outros sabores, o apetite e a curiosidade ficaram mais aguçados. Agora, é melhor não exagerar nas que se comem de tão boas que são… até com creme!

Dez e meia da manhã. Praia da ilha da Fuzeta. Começámos a ouvir o tilintar de uma sineta e um ‘olha a bola de Berlim!’ esfuziante. Pára aqui, chama dali, com creme, sem creme… é o “Bolinhas” de acordo com o logo do cesto que carrega todos os dias. Passa uma, duas, até três vezes nos mesmos sítios, e isso só de manhã. À tarde, o cenário repete-se e é só estar atento à sineta, ouvi-la, que os veraneantes interessados surgem que nem moscas ávidas de açucar! Sempre bem disposto, traz o produto embalado e etiquetado dada a quantidade de opções que vende: com creme, sem creme, com morango, com maçã, de alfarroba, entre outros. “Sem creme, por favor. Quanto é?” – pergunto eu. “1,30€” – responde o Bolinhas. “Estás a exagerar. 1 €, lá por Salgueiros!” – penso para mim próprio. 

E lá vou eu, já a salivar, com a bola fofa e polvilhada de açúcar na mão, pronto a dar a primeira dentada. Uma delícia de doce! Quem diria! Em plena Grande Guerra, a segunda, nunca se pensou que uma receita trazida por judeus refugiados no nosso país vingasse tão bem, ao ponto de a considerarmos nossa, alterando a receita à nossa maneira claro, confecionando-a com o que de melhor temos em doçaria, os ovos, e no recheio, trocando o original de frutos vermelhos pelo famoso creme de pasteleiro. 

“Olha a bola de Berlim!” – acabo de ouvir a sineta. Queres uma?