Nunca conheci nenhum dos avôs. Poderei chamar este dia de Dia Mundial das Avós, essas sim, conheci bem e são para mim uma inspiração. Uma muito diferente da outra, no entanto, ambas me enriqueceram como pessoa, pela formação que me deram e pelos valores que me transmitiram. Do que me lembro da avó Neusa ficaram os momentos mais quentes da minha infância: as histórias infantis mais conhecidas, contadas e recontadas por ela nas tardes de domingo com o sol a bater na janela e nós deitados na cama do ‘padrinho’, a bolacha com marmelada a acompanhar o chá que nunca podia faltar, a manta no colo no sofá da sala, os almoços de domingo intermináveis, as castanhas pacientemente descascadas, a ida à missa aos sábados de tarde, as idas às conferências vicentinas, as idas à Rua Escura visitar uma das suas famílias carenciadas protegida, os últimos dias e a despedida. Porventura uma das primeiras grandes perdas. Na altura não nos apercebemos da falta que esta pessoa nos vai fazer mas, ao longo da vida, vemo-nos a passear pelo pensamento relembrando este ou aquele episódio e faz-nos sentir saudades. E eu sinto-as muito! E vou sentir quando chegar a vez da avó Adelina, a ‘avó da aldeia’ como lhe chamamos. Uma resistente, cheia de vida e ‘zelada’ pelas suas dedicadas filhas. Teve doze filhos e a ela devemos a grande família que construiu em tempos que não eram fáceis e em que os mais velhos eram pais dos mais novos. Das suas estadas em nossa casa recordo os pratos de Nestum com um sabor diferente. Nunca percebi por que é que só quando a avó estava lá em casa o Nestum sabia de uma forma diferente, mas era bom! Ainda melhor! Mais tarde percebi que lhe acrescentava geleia. Hoje percebo a bomba calórica que ingeria. Mas era açúcar que alimenta o coração! A avó da aldeia era muito arrumada e gostava de tudo limpo e fresco. Naqueles dias em nossa casa ficava tudo num brinco! Roupa lavada à mão, os discos do fogão a brilhar depois de horas demolhados em vinagre! As sopas, que sopas! Embora não fosse muito frequente ir lá a casa, quando ia, deixava sempre saudades. Agora, vai mas o que queria mesmo era estar sossegada na sua casa. E eu percebo porquê, são quase 100! Quando iamos à casa da avó Adelina era uma alegria. Muita gente, muita confusão, horas e horas de brincadeiras com muitos primos, os almoços e jantares numa mesa sem fim. Mas, esses, já são raros. E já tenho saudades, também! A avó Adelina esteve sempre presente nestes meus 36 anos. Parece que por mais que o tempo passe ela vai estar sempre lá, na aldeia e, por vezes, vem passar uns dias! Parece que o tempo não passa por ela. Mas está a passar… Por isso, ainda estimo esta e todas as avós que são o que de melhor há na construção da FAMÍLIA! A todos os avós devemos muito. Obrigado, avós!