O pretexto é sempre o mesmo, descansar! Já começa a ser uma tradição refugiar-nos um ou dois dias naquela que é a cidade-jardim, Viseu. Nem muito longe nem muito perto de casa, depois de solicitar a ajuda da ‘vovó’, aí fomos nós desligar um pouco da rotina e recarregar baterias. O tempo está convidativo ao passeio, ao descanso, ao dolce far niente que quase sempre sabe tão bem, mas quase nunca dá para pôr em prática!

Viseu – a cidade de Viriato, de Hilário e de Aquilino Ribeiro

Quando falamos de Viseu, e percorremos algumas das suas ruas, várias são as referências a estes nomes que, à partida nada nos dizem, mas com certeza já os ouvimos. Viriato terá vivido no século II a. C. e foi um dos mais importantes chefes militares lusitanos que liderou o povo contra o domínio dos Romanos sobre a Península Ibérica. Provavelmente pastor e familiarizado com a vida nas montanhas, ofereceu uma forte oposição à pressão romana, incentivando o seu povo a lutar pelos seus direitos. Foi, e é, considerado por muitos como um herói português. Augusto Hilário,  mito fundador do fado de Coimbra, nasceu em Viseu em 1864. Fadista, estudante e poeta, elevou as letras e a temática cantada, cantando Guerra Junqueiro, António Nobre, Teixeira de Pascoaes, entre outros. Estudou Matemática, iniciou estudos em Medicina, porém, a música era a sua virtude. Morreu aos 32 anos, na sua cidade natal, vítima de icterícia grave. Aquilino Ribeiro, ficcionista, autor dramático, cronista e ensaísta português, nasceu em Sernancelhe, distrito de Viseu, em 1885. Estudou em Lamego e em Viseu e depois seguiu para Lisboa. Ligado ao movimento republicano e aos seus ideais políticos, por duas vezes viu-se obrigado a sair do país, sendo considerado uma figura carismática pela sua postura cívica quase heróica. Morreu subitamente em 1963, em Lisboa. Os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional em 2007.

O que visitei

Coincidiu, desta vez, a cidade estar em festa. Mais uma edição de ‘Jardins Efémeros‘ decorria, trazendo às ruas da cidade animação, cultura e movida. Em cada praça uma proposta de sons, cores e luzes diferente, com muitas barraquinhas de venda ao público com aquilo que de melhor a região tem para dar. Tudo com uma decoração à altura! Os Jardins Efémeros consistem numa realização cultural multidisciplinar, com uma forte componente experimental, potenciando as relações dos vários agentes que ‘fazem acontecer Viseu’. Vale a pena conhecer, nem que seja no próximo ano!


Alguns pontos de interesse

Estátua de Viriato, 1940, construída por um escultor espanhol. A estátua encontra-se na mais emblemática obra de engenharia da Península Ibérica, construída em terra e com planta octogonal. A sua associação a Viriato não passa de uma lenda
Na Praça da República, mais conhecida como Rossio, encontra-se esta alegoria rural, na forma de painel de azulejos, da autoria de Joaquim Lopes, 1930
Catedral de Santa Maria de Viseu (Sé), edificada nos inícios do século XII. Ao seu lado esquerdo está situado o Museu Nacional de Grão Vasco, numa alegoria ao mestre da pintura portuguesa do século XVI que viveu em Viseu
Ainda no largo da Sé, ergue-se a imponente Igreja da Misericórdia, edificada no século XVI, sob a orientação do então Bispo de Viseu, D. Jorge de Ataíde
Praça de D. Duarte, adaptada aos Jardins Efémeros. No centro ergue-se a estátua de El- Rei D.Duarte, rei português, o Eloquente, nascido em Viseu em 1391. Atrás e no cimo são visíveis as torres da Sé de Viseu e o Passeio dos Cónegos


Onde fiquei acomodado

Frontaria da Pousada de Viseu

São muitas as opções de alojamento em Viseu. Já experimentámos o Hotel Montebelo Viseu Congress Hotel e já pesquisámos outras possibilidades na internet. Apesar de ser ligeiramente mais barato, acabámos sempre por reservar na Pousada de Viseu, do grupo Pestana. O edifício resulta da recuperação do antigo Hospital de S. Teotónio cuja construção teve início em 1793 e conclusão em 1842. O Hospital encerrou há cerca de 20 anos, sendo depois convertido na Pousada pelas mãos do arquiteto Gonçalo Byrne, que a projetou. Foi inaugurada em 2009 e a entrada do edifício é encimada por três estátuas que representam, olhando da esquerda para a direita de frente para o edifício, a Esperança, a Caridade e a Verdade, respetivamente. O edifício é muito central, tem parque de estacionamento privativo e, chegando de carro, estacionamos e podemos andar sempre a pé durante a estadia. Para além disso, os quartos são muito confortáveis, cuidados e espaçosos. O pequeno almoço, muito variado e bem servido. Tem piscina, tanto interior como exterior, assim como SPA.

Para reservar quartos na Pousada de Viseu, sugiro pelo menos três pesquisas para compararem preços: a página do Grupo Pestana, o Booking e o 7ideas (geralmente neste site, para os mesmos dias e o mesmo tipo de quarto, os preços são inferiores aos outros motores de busca).

Onde comi

É difícil escolher dada a oferta da cidade no que à restauração diz respeito. Basta utilizar, por exemplo, o TripAdvisor, para sabermos os restaurantes mais cotados, o que não significa obrigatoriamente que gostemos. Porém, revela bons indicadores. Já havíamos estado num deles – Tasquinha da Sé – por indicação de uns amigos e as expectativas não saíram goradas. Para quem gosta de umas boas tapas regadas com o melhor vinho que a região tem para oferecer (claro que, para quem gostar de vinho, o que não é o meu caso), então esta opção é a ideal! Restaurante pequeno, comida bem confecionada, com sabor e variada. Além disso, e não menos importante, o preço. Não é nada exagerado! Aconselho a reservar: Rua Augusto Hilário, n° 62, contacto 964 209 802.

Rua da Taquinha da Sé (à esquerda, porta por baixo da bicicleta que está pendurada)

Outra opção diferente, mas que igualmente recomendo, é o Restaurante Colmeia. O espaço é simples, o atendimento simples mas cuidadoso, a comida com qualidade, bem servida e muito em conta. É usual haver sugestões do dia que são boas opções. Rua das Ameias 12-14, contacto 232 423 718.

Colmeia

Depois de umas horas bem passadas, conhecendo também a história de Viseu, cumprimos ao que nos propusemos: repousámos, divirtimo-nos e recarregámos baterias. Com certeza um dos refúgios para o qual fugiremos sempre que nos apetecer. E é bom! Acreditem! Fui ali e já voltei!

Informações mais detalhadas sobre Viseu: http://visitviseu.pt