Foto | Expresso | LUÍS BARRA

Foram já divulgados os resultados e as estatísticas dos Exames Nacionais do Ensino Secundário e das Provas Finais de Ciclo do Ensino Básico, 1.ª Fase. O Ministério da Educação tem conseguido nos últimos anos cumprir com um dos seus objetivos que é o de estabilizar de uma forma geral os resultados obtidos pelos alunos nas várias disciplinas, não havendo grandes oscilações nas médias de um ano para o outro. Veja-se, por exemplo, o caso do 9.º ano cuja média a Português foi de 58% (mais um ponto percentual em relação à média registada no ano anterior) e a Matemática de 53% (subindo para a positiva, dos 47% registados em 2016). Já no 12.º ano, tanto a Português como a Matemática A são registadas ligeiras subidas em relação ao ano letivo anterior. A Português a média dos alunos internos passou de 10,8 para 11,1 e a Matemática A de 11,2 para 11,5. No caso do 11.º ano, é de assinalar um pior desempenho naquela disciplina onde tem sido mais difícil obter melhores resultados, Física e Química A, em que se registou uma descida na média dos alunos internos, de 11,1 para 9,9 valores.

Diferentes perspetivas da Prova de Matemática A

Divulgados os pareceres sobre a prova da 1.ª Fase de Matemática A, um da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e outro da Associação de Professores de Matemática (APM), parece que foram analisadas provas diferentes. Enquanto o primeiro refere que a prova é fácil, o outro diz o contrário. No entanto, ambos concordam com a acessibilidade da prova. Como professor da disciplina, considero que com esta prova os alunos esforçados facilmente conseguiriam obter positiva mas é uma prova em que é difícil obter notas de topo, muito difícil haver os redondos 200 pontos.

O caso da fuga de informação sobre a prova de Português – 12.º ano

O caso marcou o arranque da 1.ª fase dos exames e mostrou que não há o sigilo pretendido nas equipas de elaboração das provas, geridas pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE, I.P.). Houve alunos a receber algumas mensagens entre as quais aquela que fornecia de uma forma bastante objetiva o que se pretendia num dos grupos da prova – produção escrita – o tema de um texto a elaborar pelos alunos. Ora, mesmo não tendo a certeza da veracidade da informação da mensagem, os alunos que, por descargo de consciência, quisessem trabalhar o tema e aperfeiçoar a escrita, garantiam 5 valores da prova, o que de certa forma faz toda a diferença! Sabe-se, no entanto, que esta fuga de informação não teve para já qualquer implicação, apesar de já se ter identificado a professora daquela equipa que quebrou a confidencialidade do conteúdo da prova. O caso, a meu ver, não está a ser tratado da melhor forma pelo Ministério da Educação. A situação pedia uma resposta exemplar por parte da tutela e isso, para já, não se verificou. Se, com o passar do tempo, ficarmos com a ideia de que nada aconteceu, a credibilidade da organização deste tipo de instrumentos e das equipas responsáveis sai muito fragilizada.